Sonhar com Silent Hill é realmente o meu sonho (???), ficar vagando no próprio sonho e invocar coisas absurdas com a mente também é divertido ou não.
Resolvi testar a teoria da galera Onironauta e dei umas voltinhas conscientes.
Sem corte de texto pra link, porque ter lembranças vagas de sonhos bizarros é algo que não pode ter edição cortada.
O que não esperava era a ambientação, culpo a memória recente por estar lendo sobre Silent Hill (todos os 8 e os similares/parecidos/genéricos) de noite e quase adormecendo na Windie – isso está acontecendo direto devido a incrível Buclizina – e devido ao trailer apresentado no post anterior.
Yep, Morrinho Silencioso, algum lugar parecido com apartamentos, algum lugar cheio de corredores nada bons de se andar e o radinho estava no meu bolso, e tocava ópera. Isso é facilmente explicável porque IRL a vizinha aqui de casa coloca ópera pra tocar no volume máximo de manhã (o que é facilmente explicável já que ela confessou a minha mãe no ônibus que só coloca ópera alta quando está com saudades do marido caminhoneiro.), então junte isso e paredes que se mexiam, e sombras em paredes que se mexiam e minha lingua cortada.
Pronto, posso chamar de Silent Hill né?
E mãos esfoladas porque todo lugar que eu tocava saía um pedaço de pele, mas não doía, mas dava agonia. E tinha gente que eu conhecia em fotos nas paredes e tinha cartazes de datas de coisas que tenho que resolver ainda. E uma folha de ponto, eu lembro de passar por uma folha de ponto.
Eu andei sozinha por um bom caminho, cheguei a até ir lá fora – e estava muito frio, sem a famosa fog, mas estava escuro pacas e os postes não funfavam – mas resolvi ficar dentro do prédio.
Flashes dali, flashes daqui, as sombras no chão e nas paredes conversavam comigo. Coisas aleatórias, nada muito revelador de uma possível esquizofrenia atrasada. Uma delas comentou o quanto demorava para baixar os episódios da 6ª temporada de House M.D. É, coisas bobas assim…
Estranho foi não me sentir ameaçada pelas sombras, nem ter receio de chegar perto e tocar as paredes pra ver se eram sombras mesmo (Eram sim.), nem de me assustar porque a quantidade de luz era mínima no recinto. Só o treco da língua é que me apavorou um tiquinho, mas é porque a possibilidade de perder a fala me dá ataque nos nervos mesmo e ter as mãos esfoladas não ajuda muito.
Primeiro eu sentia ela maior que a boca e pra falar era quase dolorido – sem contar babar direto? Eeeeew!! – depois de um tempo eu a sentia cortada, até comprovar a teoria indo perto de um carro na frente do prédio e olhando pelo retrovisor. Yep, cortada.
Se isso freaks me out. Sim.
Mas foi aí que saquei que era o sonho lúcido e dar passeiozinhos conscientes fazem parte do programa.
A cidade estava normal por assim dizer, não havia ninguém por perto, mas não estava tão ferrada quanto nos games, apenas parecia que todos dormiam e eu vagava ali de madrugada. Entrei em dois outros prédios e não percebi nada de anormal, a não ser portas fechadas e barulhos familiares de correntes de ar, agua escorrendo em canos e coisas básicas como uma descarga ali, uma televisão dentro de um quarto aqui.
As sombras ainda estavam ali na parede conversando comigo, era como se fossem um outro canal de Tv dentro do sonho, sabe? Eles não estão ali onde estou andando, mas continuam falando? Pra mim era normal “sintonizar” o outro canal e responder as vozes (nenhuma delas me era familiar). Eu sentei em uma escada próxima de um corredor vazio e fiquei conversando sobre propagandas legais da infância: Popotinha, a Poupança da Alegria entrou no assunto.
E fiquei com sono depois de um tempo, algo como: “Hora de desconectar da Matrix plz?“, mas não me deixei levar, andei mais algum tempo pelo prédio e atravessei um beco particularmente sinistro para o outro prédio. Eu tinha certeza absoluta que era um Hospital e ia encontrar as nurses e tudo mais, mas era só um prédio da prefeitura e tinha mais cartazes pregados. E eu tava afixando cartazes sei lá do quê. Um senhor chegou perto de mim e disse que meu amigo Marcelo estava melhor da queda e que queria me ver.
Arrá é um Hospital, seu mané!! *aponta pro nariz*
Isso faz parte do sonho lúcido, mesmo que a coisa não pareça ser, se você conseguir manipular o efeito quer dizer então que ali era um Hospital mesmo, eu só não estava visualizando o ambiente direito e fazendo ficar acreditável.
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Off-topic: O Marcelo era meu amigo de infância lá de Florianópolis, ele vinha alguns dias da semana para a avó que morava na minha rua e a gente tinha regras para brincar de tarde. Ele só podia brincar no quintal do avô – que era o senhor que me avisou dele (Que aliás morreu uns anos atrás) – ou no meu quintal. E como a gente só tinha Lego e bonecos de Comandos em Ação, tudo ia disso mesmo. Ele tinha a mania de tomar café molhando o pão no café até ele ficar empapado e isso naquela época eu acha WTF é isso?! e ele tinha uma risada muito engraçada.
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Subi algumas escadas e achei o quarto e já era uma coisa totalmente diferente! Era em Haplin de Happy Town e eu tava na Delegacia preenchendo formulários com impressões digitais de dezenas de pessoas e aí eu resolvi parar de fazer sentido. E de saber se onde eu estava era Silent Hill mesmo.
Analisando a cadeia hereditária daquela música brega do bomchibombombom, meu Morrinho Silencioso seria assim? Andar de madrugada em uma cidade conhecida por seu misticismo de fazer os piores pesadelos secretos da pessoas se tornarem verdade e tangíveis, sombras que conversam pela parede, mãos esfoladas e lingua deformada?
Eu pensei em ter coisas puxando meu pé enquanto andava, ou um übber cachorro sinistro parecido com o Hank atrás de mim. Poxa vida! Nem um Pyramid Head veio?! Tá certo que não preciso de punição pelos meus desejos sexuais reprimidos porque a culpa de matar minha própria esposa doente sufocada com um travesseiro me consome, mas poderiam ter liberado um Pyramid Head pra eu ter medo escandaloso e fangirling ao mesmo tempo.
Recuperar a memória do sonho é que foi mais bizarra possível, porque eu sei que omiti alguma coisa entre o relato, mas não lembro exatamente o que é. O que me lembra que eu escrevi sobre essa porcaria de memória em um trabalho de final de semestre na Disciplina Isolada de Literatura Comparada da UFMG. Achei ela entre meus pertences, reli e tou publicando aqui em PDF por razões óbvias de falso entendimento.
O Inventário como mecanismo de rememoração em Amnésia e Silent Hill 2.
Bruna Reis Morgado – Licenciada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, harielfa@hotmail.com
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Resumo: Esse artigo tem por objetivo fazer uma análise comparativa entre o filme Amnésia de Christopher Nolan e o jogo eletrônico Silent Hill 2 da Konami, e como o uso intensivo do “Inventário” pelos protagonistas pode ser relevante em suas trajetórias. Para isso foram escolhidas, dentre as teorias estudadas na disciplina “Seminário de Literatura e outras artes, Esquecer para lembrar: redes narrativas da cibercultura”, a teoria do hipertexto, desenvolvida por Pierre Lévy e apontamentos sobre arquivo, memória e esquecimento de Jacques Derrida.
Palavras-chave: Hipertexto, jogos eletrônicos, cinema, memória.
Vai ver que estou como James Sunderland, indo pra SH só para se auto-punir. Ou sei lá. Dar rolés em sonhos lúcidos pode ser um esporte legal pro resto de minha vida. Agradeço a Freddy Krueger se ele não se meter em minha vida onírica, preciso de pesadelos auto-analíticos, não de terror adolescente e gruesome violence.
Ps: Silent Hill 2 Director’s Cut com a parte da Maria acabou de baixar aqui. Reunindo coragem para jogar e tentando lembrar por onde eu tenho que começar para conseguir o final “Maria”. Damn, lá vou eu apelar pra esses detonados furrecas ¬¬”